
Passei por aqui e deixo-vos um beijo.
Traçar uma rota.
Rumo ao sol.
E não desistir.
Criar novas ferramentas.
Compreender novos conceitos.
E acreditar que a vida só deixa de ser uma aventura, quando nós desistimos.
Dos lamentos, fazer reinvindicações.
E aí vou eu....saltando de pedra em pedra!
Para todos um beijo agradecido pelas palavras de carinho!
PS-Voltarei!
Hoje acordei frágil.
Não, ontem adormeci fragil. Deitei-me com a fragilidade de um coração de vidro, sem saber se me poderia deitar de bruços, se me poderia revirar na cama. Revirei memórias no medo de revirar o corpo e partir o coração. Descobri depois que as memórias também o partem. Acordei fragil com a fragilidade que me não deixou dormir, será que alguma vez fui miúda, a responsabilidade, a consciencia, o chegar a horas, o bater das teclas ritmadas com o tédio dos numeros, das informações passadas para o papel. Amarelado. E enquanto dactilografava fichas, adiava a vida, serio e cumpridor, nada consta em desabono. A consciencia dos dias a passarem e eu ali fechada, amarelada como o papel, cumpridora, o relogio que me retinha, as palavras que não poderiam ser escritas numa ficha amarelada de informação. Nada consta. Tudo consta. As palavras a dançarem à minha frente, logo faço bifes para o jantar, assim fico com tempo para elas, logo compro o jantar feito, apanho um táxi, dispo esta saia, descalço os sapatos e brinco no chão com elas. Mas a vida é só isto? em abono da verdade o desabono dos dias, das noites, seria e cumpridora, trabalho casa casa trabalho, o mar ao longe e os barcos de papel, desfeitos, sonhei com eles, feitos de fichas amareladas e depois descobri o Antonio Lobo Antunes, memórias de elegante, era eu uma miuda, será que algum dia fui miuda, o anticristo, depois. Elas dormiam já, arrumados os brinquedos, as superficialidades, as superficies limpas e desinfectadas, como se desinfecta um coração triste, um coração de vidro, que se parte, pode partir, ja se partiu.
De coração partido descobri os muros, o que andava eu a ler nesse tempo? não sei, escrevia, escrevi sobre o carroucel, escrevi sobre palavras cruzadas e estores que não permitiam que o som triste da alma saltasse pelo parapeito. muros. E depois não li, nem escrevi. Amei de novo. E voltei a acreditar que as noites compensassem os dias do serio e cumpridor, nada consta em desabono. Aprendi a navegar. Não lia, mas navegava.Montargil, lembram-se? Voces iam pelos campos e eu levava o barco, dizia-vos adeus até vos perder de vista e depois acelerava pelas aguas mansas da barragem, descobria as águias, descobria o vento no rosto e sentia-me feliz.
Abraçava-vos e fomos felizes até permitirem. Porque permiti eu a infelicidade?Não sei. Nunca deveria ter permitido. Nada consta em desabono. Nunca constou ate que o muro caiu, o anticristo se soltou em mim, a miuda irreverente voltasse para salvar o que outros destruiram. Como me poderia ser fiel, se nunca me foi leal? coração de vidro, que se parte, se pode partir, de novo partido.
Até que o serio e cumpridor nada consta em desabono, deixou de fazer sentido. Tudo deixou de fazer sentido. Só as máscaras dos outros agora faziam sentido. Cortantes como os vidros.
Nas teclas o ritmo do nada.
Apenas o som do meu riso amargo.
Não me vesti de luto. Corações partidos não precisam de se vestir.
Andam nus, inconscientes talvez da sua força,
inconscientes da sua rota,
inconscientes dos muros que quebram à passagem.
Hoje acordei fragil, quam sabe adormeci sobre o primeiro vidro partido do meu coração?
Disparate o meu, acordar assim com o coração nas mãos logo hoje, que fazes anos.
Acordar banhada em saudades tuas, ainda ontem partiste, acordar banhada em saudades minhas, acordar banhada em saudades do avô, se....a fragilidade dos ses que compõem o nosso destino, se....acordar banhada na dúvida, na pergunta, na inevitabilidade das razões, dos vidros, do coração.
Está bem, já vejo o teu olhar aflito, a censura no teu rosto compreensivo, oh mãe...logo hoje?
Limpo as lágrimas.
Se cá estivesses, nem irias desconfiar, como mais ninguem que me vir hoje desconfiará, mas que queres? gostaria hoje de te dar um beijo, abraçar-te e só te posso enviar este coração de nuvem, vidro e amor, que embora se parta de saudades rejubila de felicidade por tu existires!
Amo-te, querida!
Não desperdices a tua vida, um momento da tua vida, o sentido da tua vida!
Parabéns, filha minha!
Voltar ao mar.
Navegar.
Contemplações.
Lições.
Encontro de mim, comigo.
Equilibrio. A serenidade que só o mar me dá.
Partida do zero hidrográfico.
Saber que a miúda que fui ainda resiste.
noutros corpos.
de mar.
Urgente.
Resgatar.
Respigar.
Confiar o leme e ficar à proa.
Da vida.
Do salto. Assalto a esperança o sonho de outra terra. pEDRA SEM ÂNCORA.
Desalentos liquidos.
Lamentos ao fundo.
Presos no ferro do passado.
Mais leve sigo.
Olhos ao alto.
Venha o vento.
Que a vida se ice!!!
Na noSsa força
o laborar dos cabos.
A esperança e a ousadia.
A teimosia de não desistir.
Ir.
Faz-te ao vento e ata-te ao mastro.
Nó de evasão.
Na evasão.
Piratas somos nós se nos deixamos fraquejar.
Saquear. De nós próprios.
Tropopausa num folego engolida.
Aproar em nós e seguir viagem.
Linha da vida.
Na palma da minha mão.
Nem sombra de ti.
Na areia, ainda quente, em vão, tentei perceber a direcção dos teus passos.
Enviaste, contudo, passados muitos anos, uma impressão digital num postal sem selo, que eu nunca pude agradecer.
Falavas de terras que eu nunca vira e de rotas demasiado arriscadas para um sossegado destino como o meu.
Contavas-me das saudades do mar e da nostalgia da viajem, quando o coração sente a noite cair e ainda não conhece o olhar da mulher que o receberá.
Quando o corpo sujo do pó das estradas se dobra no vómito da solidão.
Falavas-me dos telhados de Alfama e da Mouraria, da luz única da nossa cidade, ao subir o Castelo...
Nas entrelinhas percebi a fome dos temperos de mão cheia, a sede do nosso olhar de rio, quando nos sentavamos no cais a tricotar sonhos, roubados aos livros de Geografia.
-Subíamos as escarpas da descoberta e antes de assinalarmos o feito, já novos caminhos prometíamos numa azáfama de partidas sem retorno, a uma terra que era já nossa.
Percebi também na paisagem do postal, a febre que te consumia e o perfume de jasmim que perseguias, no doce embalo de um comboio sem linhas, que já era o teu pensamento.
Soube-te perdido com a visão de um mundo demasiado pequeno para ti, sabia que o deserto vivia dentro de ti e nos glaciares longinquos por fim, acalmarias a morte. Dirias sorte.
E eu falava-te da esperança dos meus olhos, da poesia no eco dos passos, quando as ruas à noite adormeciam antes de nós...de um novo sol e de um novo riso, de um novo dia.
Rias-te, céptico da minha força, com os teus dentes brancos, mastigando as ironias de uma vida a prazo.
Há quantos anos se partiu já a nossa rosa dos ventos?
Não sei de ti nem que direcção tomaste.
Levaste contigo os meus poemas, escritos à mão em papel de contas, bem dobrado e, quem sabe...? é sobre eles, que hoje, ancoras o teu corpo, já cansado.
E a esperança resiste mesmo nas ruas mais frias.
Acordamos às 6.00h da manhã (5.00h em Portugal) com a euforia própria da viagem...do descobrir o que nunca vimos...O sol ja brilhava há muito tempo, a temperatura rondava os 28º e enquanto tomavamos o pequeno almoço, na esplanada do Hotel, olhavamos o mar, que íamos deixar para trás...
A caminho do deserto!Almoçamos em Kairouan, cidade santa e capital magrebina, da Religião Islâmica...
...a Grande Mesquita alberga em datas importantes 10.000 fiéis...Local de Meditação, Oração, Bem estar.
Ao domingo, com toda a comunidade reunida, os homens contam os seus problemas.
Há sempre um médico, um advogado, um enfermeiro ou ate mesmo um pedreiro ou canalizador, com a solução para o problema do outro...
ou laranjas de mel...
convido-vos para um dos bares de praia...
Sempre com boa música, uma batida forte e alegre que pode ir desde os últimos exitos árabes, até às nossas tão conhecidas músicas latinas...
Se por acaso se esqueceram dos cigarros no hotel, não se preocupem...
....A praia, na Tunisia, é um pequeno mundo de oportunidades de negócio e decerto muitos vendedores de cigarros, pulseiras, amendoim torrado e caramelizado (hummm), passarão por vocês, ao longo do dia...
...dificil mesmo é sair da água translúcida...morna...aprazível...seja dia, seja noite...